30 de ago de 2017

Órgão de defesa de crianças e adolescentes repudia vídeo do MBL - Rede Não Bata Eduque

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“MBL é o maior difusor de notícias falsas, conclui pesquisa da USP


Um levantamento feito pela Associação dos Especialistas em Políticas Públicas de São Paulo (AEPPSP), com base em critérios de um grupo de estudo da Universidade de São Paulo (USP), identificou os maiores sites de notícias do Brasil que disseminam informações falsas, não-checadas ou boatos pela internet, as chamadas notícias de ‘pós-verdades’” (Fonte: Blog do Mesquita)


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"O Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedca-RJ) emitiu nota em que manifesta 'total repúdio ao vídeo que circula nas redes sociais do movimento fascista chamado MBL'(Movimento Brasil Livre).


Segundo o Conselho, o material se refere ao Estatuto da Criança e do Adolescente e à doutrina da proteção integral de 'forma debochada', incita ao 'ódio', e divulga 'inverdades, tais como tempo médio de internação de 4 meses para adolescentes autores de ato infracional de natureza grave'. 


A nota lamenta e repudia que 'pessoas disseminem ódio e queiram confundir os desavisados ao distorcer informação e inclusive querer questionar competência jurisdicional, ao criticar a criação de Vara de Execução de Medidas Socioeducativas, dando preferência, não se sabe por que motivo, ao juízo de conhecimento, que segundo essa avaliação, teria melhores condições de acompanhar a execução das medidas de privação de liberdade'.


No documento, o órgão lembra mortes acontecidas nas periferias do Rio de Janeiro durante operações policiais, em especial de jovens negros, e também cita estatísticas mais recentes do Mapa da Violência, mostrando que morrem por dia, em média, no Brasil 24 crianças e adolescentes" (Rede Não Bata Eduque).


25 de ago de 2017

As caravanas - Chico Buarque



As caravanas

"Tem que bater, tem que matar
Engrossa a gritaria
Filha do medo, a raiva é mãe da covardia
Ou doido sou eu que escuto vozes
Não há gente tão insana
Nem caravana do Arará”.

Chico Buarque





Foto: Chico Buarque e o neto Chico Brown - Leo Aversa/Divulgação

Se eu morar nos Jardins vou ser tratado como um morador de periferia - Marcelo Rocha



 

Enquanto o negro, não importa o espaço que está, sempre seremos suspeitos em potencial para eles. Por Marcelo Rocha

Uma entrevista com o novo comandante da ROTA – Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar – para a UOL chocou muita gente essa semana e causou grande espanto a coragem de falar isso em público, embora o que ele disse é fato. Vivemos coisas como essa há muito tempo. Inclusive, segundo dados oficiais da SSP, a Polícia Militar do estado de São Paulo só no primeiro semestre assassinou 459 pessoas, isso em números oficiais. Já sabemos qual a cor e local majoritário onde foram esses foram a óbito pelas mãos dos militares.

No Rio de Janeiro, as forças militares nacional, municipal e estadual se uniram para combater a dita “Guerra às drogas”. Lá o sitiamento e as mortes também tem lugar e cor, a dona de casa e a criança vão ser revistadas no beco, mas a viatura não ousaria parar o carro de meio milhão na Barra, exceto se o condutor tiver cara de favelado, isso muda tudo. Como ocorrido com o ator Samuel L Jackson e o astro do basquete Magic Johnson que sofreram ataques por uma modelo italiana que postou em seu Instagram uma foto dos dois sentados na praça e dizendo que o governo dava dinheiro pros imigrantes usarem roupa de marca, pois até então os dois não haviam sido reconhecidos.

Esse mesmo racismo acontece nas ruas. O cineasta negro e youtuber Valter Rege, em sua obra “Preto no Branco” vai de encontro a esse estereótipo, quando retrata a história de Roberto Carlos, jovem que trabalha em um shopping e após um dia cheio enquanto corria para tomar um ônibus, esbarra em uma mulher que chama a polícia e o acusa de roubar sua bolsa. Caso que também já aconteceu comigo enquanto voltava do trabalho e com tantos outros como Rafaeis Braga que até hoje estão presos, pois se não houver flagrante, na hora de forjar o judiciário não vai confiar na palavra de um favelado.

Enquanto o negro, não importa o espaço que está, sempre seremos suspeitos em potencial para eles. O que dói mais é que entrevistas assim se quer chocam quem vive essa realidade todos dias. De Charllotesville ao Jacarezinho, dos Jardins à periferia de São Paulo, o racismo mata preto todo dia.

Por Marcelo Rocha, 19 anos, fotojornalista, estudante de Ciências Sociais, ativista da educação que participou das ocupações no estado de São Paulo, e militante do movimento negro.

Fonte: Midia Ninja