16 de ago de 2017

Ato contra o feminicídio e em defesa da memória de Mayara Amaral - Hoje, dia 16 de agosto EMAC\UFG - Goiânia

A imagem pode conter: 1 pessoa, texto e atividades ao ar livre 

Ato contra o feminicídio e em defesa da memória de Mayara Amaral.
Dia: 16 de agosto de 2017



 Assistam no vídeo acima a entrevista com a psicóloga Cida Alves sobre o Ato contra o feminicídio e em defesa da memória de Mayara. Amaral.


Programação:

1) Concentração - 16 horas
   Oficina de cartazes
        Roda de meditação     
        Cortejo do Coro Mulher pelo Campus Samambaia

2) Leitura da Carta da irmã Pauliane Amaral – Natassia Garcia



Alunas de musicoterapia da EMAC\UFG - as primeiras flores a enfeitar o palco violão, onde diversos artistas goianos homenagearão a musicista Mayara Amaral. Foto: professora Sil - Goiânia, 15 de agosto de 2017



3) Recital de Música - 17 horas

Presenças confirmadas:
Bruno Fernandes - aluno da EMC\UFG e amigo da Mayara
Renan Machado Pinto de Oliveira - aluno da EMC\UFG e amigo da Mayara
Professora Bianca Laboissiere - aluna da EMC\UFG e amiga da Mayara
Professor Eduardo Meirinhos - último professor de Mayara Amaral -
EMAC\UFG
Professora Vanessa Bertolini - EMAC\UFG

4) Leitura da “Carta de desagravo – Por Justiça a Mayara Amaral e a todas as mulheres vítimas de feminicídio” – Geralda Ferraz

Abraço ritmado pelo Coró Mulher #Nenhumaamenos #Asqueremosvivas - 18 horas

Endereço: EMAC - Escola de Música e Artes Cênicas
Universidade Federal de Goiás - UFG - Campus Samambaia
Avenida Esperança, s/n, Campus Universitário
Goiânia/GO, Cep 74690-900

Realização:
Coletivo Mayara Amaral
Escola de Música e Artes Cênicas - UFG
Coletivo Feminista Carol Barbosa

15 de ago de 2017

Ato contra o feminicídio e em defesa da memória de Mayara Amaral - 16 de agosto/EMAC Goiânia

Ato contra o feminicídio e em defesa da memória de Mayara Amaral


O evento acontecerá na próxima quarta-feira (16/08), das 16 às 18 horas, no Emac, UFG.


Um grupo de mulheres feministas, professoras e funcionários da EMAC estão organizando um ato contra o feminicídio e em defesa da memória de Mayara Amaral.

Durante o ato serão realizadas oficinas de cartazes e meditação, cortejo com o grupo Coró Mulher, sarau de músicas, leituras e ainda a instalação de um grande violão com flores.

A iniciativa partiu de um grupo de mulheres ativistas com o objetivo de fazer memória a musicista Mayara Amaral que foi cruelmente assassinada, no mês de julho, no estado do Mato Grosso, e repudiar o tratamento machista dado aos casos de feminicídio pela grande imprensa.

evento criado na rede social – facebook – já tem confirmadas mais de 400 pessoas. Um grande violão de flores para compor o desenho do violão, que será montado em homenagem a Mayara Amaral.

Feminicídio:

No Brasil, a taxa de feminicídios é de 4,8 para 100 mil mulheres – a quinta maior no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Goiás é o segundo Estado brasileiro que mais teve homicídios de mulheres em 2014.

O homicídio cometido com requintes de crueldade contra mulheres por motivações de gênero, desde 2015, tornou-se crime hediondo com a promulgação da lei nº13. 104/2015, a lei do feminicídio.  Na legislação, a violência doméstica e familiar e o menosprezo ou discriminação à condição de mulher são descritos como elementos de violência de gênero e integram o crime de feminicídio.

# Pela memória de Mayara e todas as manas assassinadas.

Serviço:
Ato contra o feminicídio e em defesa da memória de Mayara Amaral
Data: 16.08.2017 – Das 16 às 18 horas
Local: EMAC – Escola de Música e Artes Cênicas da UFG.
Publicado pela Redação em 15 de agosto às 08:13.


14 de ago de 2017

Nota de repúdio contra tentativa de intimidação e de abusos cometidos por polícias militares na Audiência Pública convocada pelo Conselho Estadual da Condição Humana - ADUNIFESP – SSind


“O que se viu foi um verdadeiro espetáculo de horror.
Depois de perderem uma proposta, militares agrediram verbalmente professores e estudantes, chamando-os — mais uma vez — de “vagabundos”.
Nas votações subsequentes, intimidaram-nos fazendo pessoalmente a contagem dos votos e filmando, fotografando e olhando de modo ameaçador cada um que votava contra a posição deles.
Ao longo da noite, a comunidade acadêmica correu sérios riscos.
Foi aprovada a supressão de qualquer referência a direitos humanos no plano estadual; foi eliminado o item que obrigava o Estado a garantir a permanência e combater a evasão escolar das minorias; foi suprimida a obrigação de formar agentes de segurança pública com base nos princípios dos direitos humanos.

Apesar do temor, a comunidade acadêmica resistiu pacificamente”.

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NOTA DE REPÚDIO

Manifestamos nosso mais profundo repúdio ao que ocorreu na Universidade Federal de São Paulo, Campus Baixada Santista, na noite de 11 de agosto de 2017, durante a Audiência Pública convocada pelo Conselho Estadual da Condição Humana para discutir o texto do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos de São Paulo.
Desde às 18h o campus foi ocupado por policiais, muitos fardados e inicialmente armados (foi exigido que guardassem as armas).
A calçada do portão principal ficou abarrotada de viaturas da Polícia Militar.
A comunidade acadêmica que ali se encontrava para as atividades diárias tinha pouca informação a respeito e ficou estarrecida quando soube que se tratava de uma audiência em que seriam definidos os rumos da educação em direitos humanos e, mais ainda, quando compreendeu que os policiais militares (que a esta altura chegavam a quase cem) defendiam a proposta de eliminar conteúdos fundamentais à educação pública.
Estes bradavam por “direitos humanos aos humanos direitos”, “mudar a nomenclatura Ditadura Militar de 1964 para Revolução de 1964”, “retirar a discussão de gênero nas escolas”, etc
Professores, técnicos e estudantes que estavam no campus, após tomarem conhecimento do que ocorria, decidiram participar da audiência e foram hostilizados pela tropa, que tentou impedir que votassem, sob o argumento de que não estavam lá desde o início.
Houve até gritos de “vagabundos”.
Se fazem isso contra quem estava no próprio espaço de trabalho e estudo (muitos descendo da sala de aula), o que não farão com pessoas mais vulneráveis em um país com cerca de treze milhões de desempregados?
Estudantes e professores que se manifestaram pacificamente com cartazes em defesa da Escola Pública e dos Diretos Humanos também foram hostilizados.
Ouviram-se frase macabras, como “Depois morre e não sabe o porquê!” ou “Quando precisarem da polícia, chamem o Batman”.
Além disso, um grupo de militares e seus apoiadores começou a fazer cartazes com “Bolsonaro 2018”, “Liberdade sem libertinagem”, “Pode confiar #”.
Situação preocupante em que os que defendem a “escola sem partido” partidarizam sua atuação portando as vestes e as insígnias de uma corporação militar.
Ainda mais lamentável: a alta patente fardada nada fez para controlar seus subordinados que, aliás, quase agrediram fisicamente algumas docentes e estudantes.
Feita a leitura do texto-base do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos de São Paulo, começou a “votação”.
O que se viu foi um verdadeiro espetáculo de horror.
Depois de perderem uma proposta, militares agrediram verbalmente professores e estudantes, chamando-os — mais uma vez — de “vagabundos”.
Nas votações subsequentes, intimidaram-nos fazendo pessoalmente a contagem dos votos e filmando, fotografando e olhando de modo ameaçador cada um que votava contra a posição deles.
Ao longo da noite, a comunidade acadêmica correu sérios riscos.
Foi aprovada a supressão de qualquer referência a direitos humanos no plano estadual; foi eliminado o item que obrigava o Estado a garantir a permanência e combater a evasão escolar das minorias; foi suprimida a obrigação de formar agentes de segurança pública com base nos princípios dos direitos humanos.
Apesar do temor, a comunidade acadêmica resistiu pacificamente.
Externamos nossa forte preocupação com quem pretende, na base do grito, se sobrepor à produção de conhecimentos, à liberdade de pesquisa, à democracia e à autonomia universitária.
A Adunifesp-SSind entende que este ato abusivo e autoritário se insere num movimento maior de ataques à democracia e aos direitos humanos em curso em nosso país.
Também o fato de que ele tenha ocorrido dentro da Unifesp escancara o processo de demonização e ataque às Universidades Públicas que é impetrado hoje em dia por setores reacionários da sociedade.
Por fim, repudiamos veementemente o modo como ocorreu a votação e solicitamos que o Conselho Estadual da Condição Humana desconsidere o resultado desta “consulta”.
Queremos esclarecimentos sobre a utilização do espaço da Universidade Federal de São Paulo para episódios desta natureza.
Manifestamos nossa preocupação com a integridade física dos professores, técnicos e estudantes que ali defendiam o ensino público e de qualidade, a escola sem mordaça, a permanência dos direitos humanos como princípio norteador da educação.
Exigimos que as chamadas autoridades competentes manifestem posição urgente e clara sobre o ocorrido, especialmente no tocante às relações entre disciplina da tropa e Estado de direito.

ADUNIFESP – SSind
Fonte: Viomundo, 13 de agosto de 2017.

12 de ago de 2017

Diáspora - Tribalistas

Vozes D'África


"Hoje em meu sangue a América se nutre

Condor que transformara-se em abutre,

Ave da escravidão,

Ela juntou-se às mais... irmã traidora

Qual de José os vis irmãos outrora

Venderam seu irmão".





São Paulo, 11 de junho de 1868

Castro Alves

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Foto: Facebook\reprodução

9 de ago de 2017

"A questão do pensamento é produzir o impossível. Produzir o impensável. É exatamente o que Nietzsche fez! É exatamente o que Spinoza fez!" (Cláudio Ulpiano)



A nossa universidade não é uma universidade para produzir pensamento. A única coisa que se produz na universidade é obediência. Se ensina o estudante a obedecer. Tanto que eu luto com muitos de meus alunos quando eles começam a dizer para mim: “eu não suporto mais". Eu digo: “Aguenta a barra. Aguenta a barra e pega esse diploma. É um instrumento de guerra”. Porque a universidade só passa isso para nós. Quando você começa a verificar aulas que a questão passa a ser o pensamento o estudante fica inteiramente surpreendido. Ele não está habituado, não está formado para isso. Porque desde os 3 anos de idade ele não para de receber essas forças constituintes de marcas e sinais. E em linguagem literária o que se produz é um homem dos hábitos. Um homem que tem um conjunto de hábitos e julga que aquele conjunto de hábitos que ele tem é a natureza dele. Então é preciso passar uma força, - sobretudo a literatura é muito bonita para isso - de estranhamento. Abrir uma espécie de buraco, onde você começa a verificar que sua natureza não é o seu conjunto de hábitos. Quando a gente lê Michel Foucault a gente fica muito surpreendido por causa dessas coisas. O Foucault quando vai pensar a homossexualidade grega diz: “a homossexualidade grega não tem nada ver com a homossexualidade do ocidente. Se vocês quiserem articular a homossexualidade grega com a do ocidente vocês não irão entender nada”. Aí o homem do hábito diz assim: “esse Foucault é um louco”. Aí Foucault diz: “Sou. Porque é preciso ser louco para vencer os hábitos”. Por isso que a loucura não para... A loucura e a literatura, a loucura e a arte, a loucura e a filosofia não param de ser perseguidas pelas forças repressivas do campo social, psiquiatria e etc... Porque é exatamente isso. Para produzir esse mundo novo é preciso correr um risco muito grande. Correr o risco de pensamento. E - aqui é de uma beleza incrível - isso é o pensamento não naquilo que é real. E não naquilo que é possível. A questão do pensamento é produzir o impossível. Produzir o impensável. É exatamente o que Nietzsche fez! É exatamente o que Spinoza fez! E além de todos os limites que nos foram dado por Kant era o pensamento. Transgredir é muito mais do que transgredir, é produzir exatamente um novo. Produzir impossibilidades!

Cláudio ULPIANO in: Pensamento e Liberdade em Spinoza. Aula gravada em 1988, no Planetário da Gávea, Rio de Janeiro-RJ.


Palestra completa no vídeo abaixo

7 de ago de 2017

CARTA DE APARECIDA - Conferência da Família Franciscana do Brasil




 

"Somos sensíveis ao grito dos empobrecidos e da Mãe Terra! É preciso agir com misericórdia para com eles e, com indignação diante desse sistema que exclui, empobrece e maltrata, e convocarmos a todos para se unirem à luta que hoje assumimos juntos: participar da reconstrução da Igreja com o Papa Francisco e reconstruir o Brasil em ruínas".

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CARTA DE APARECIDA

“ Ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres. ” LS,49

A Conferência da Família Franciscana do Brasil, celebrando o Capitulo Nacional das Esteiras, consciente de sua missão de “levar ao mundo a misericórdia de Deus”, dirige-se a todas as pessoas de boa vontade: àquelas que continuam acreditando em um mundo de justiça e fraternidade e àquelas que, em meio às contradições e crueldades de nosso tempo, vivem a dor da desilusão e da falta de esperança.

As partilhas realizadas nesses dias nos levam a afirmar: vivemos um verdadeiro Pentecostes. Neste sentido, o Capítulo nos chamou a um revigoramento do Carisma e nos levou a fazer memória da herança, da inspiração originária que deu início ao movimento franciscano. A experiência das esteiras nos leva a retomar nossa vocação enquanto peregrinos e forasteiros.

As bases nas quais foram construídas a nossa história estão marcadas pelo sangue dos pobres e pequenos, indígenas, mulheres e jovens negros, por um extrativismo desmedido e destruidor, por uma economia que exclui a maioria, por destruição de povos, culturas e da natureza. À luz do nosso carisma, compreendemos que se faz necessário construir um novo horizonte utópico que nos comprometa com a construção de um projeto de país com justiça e paz em respeito à integridade da criação.

Somos sensíveis ao grito dos empobrecidos e da Mãe Terra! É preciso agir com misericórdia para com eles e, com indignação diante desse sistema que exclui, empobrece e maltrata, e convocarmos a todos para se unirem à luta que hoje assumimos juntos: participar da reconstrução da Igreja com o Papa Francisco e reconstruir o Brasil em ruínas.

É chegado o momento de recolhermos nossas esteiras e as lançarmos sobre o chão das periferias do mundo, transformando continuamente nossa maneira de Ser, Estar e Consumir em reposta aos apelos do Papa Francisco.

A realidade ecológica e sócio-política-econômica do nosso país nos exige compromisso profético de denúncia e anúncio.  Assistimos, tomados de ira sagrada, à violação dos direitos conquistados, através de muitos esforços, empenhos e articulação pelo povo brasileiro. Por isso, não podemos deixar de nos empenhar junto aos movimentos sociais na luta “por nenhum direito a menos”, contra golpes, reformas retrógadas e abusivas conduzidas por um governo ilegítimo, um parlamento divorciado dos interesses da população e  uma justiça que tem se revelado fora dos parâmetros da equidade “que no lugar de fortalecer o papel do Estado para atender às necessidade e os direitos do mais fragilizados, favorece os interesses do grande capital”¹.

Dessa Cidade de Aparecida, Nossa Senhora, Padroeira do Brasil, resgatada das águas de um rio, hoje poluído e degradado, nos faz eleger dentre os diversos apelos um compromisso particular com a Irmã Água. Deste modo, nos empenharemos na construção de um processo de reflexão e ação em defesa da água como bem comum, que se dará através da participação da família em jornadas, fóruns e nas iniciativas de fortalecimento dos trabalhos ligados à promoção da Justiça e da Integridade da Criação.

Tudo isso acontece, irmãs e irmãos, porque São Francisco nos ensinou que nos momentos mais difíceis de nossas vidas devemos voltar à Casa da Mãe. Ele e seus irmãos voltavam, com frequência, à pequena igreja de Santa Maria dos Anjos, a Porciúncula. Nós voltamos ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, nestes 300 anos de caminhada com os pequenos desta terra.

“Óh Mãe preta, óh Mariama, Claro que dirão, Mariama, que é política, que é subversão, que é comunismo. É Evangelho de Cristo, Mariama!”, ainda assim, invocamos suas bênçãos sobre toda a nossa família e sobre um Brasil sedento de “Paz – fruto da justiça, do bem e da Misericórdia de Deus”.

Conferência da Família Franciscana do Brasil – CFFB
06 de agosto de 2017

Fonte: Outras Palavras, 7 de agosto de 2017.