12 de jul. de 2011

Marcha das Vadias: fina ironia das mulheres contra a violência de gênero




Estarei,
junto com minhas irmãs, filhas, sobrinhas e amigas, na Marcha das Vadias de Goiânia (SBPC 2011) por discordar frontalmente dos velhos e toscos discursos que culpabilizam a vítima pela violência sofrida.








A primeira "marcha das vadias" realizou-se em 3 de Abril, em Toronto, e foi originada pelas declarações do policial Michael Sanguinetti, durante uma palestra com estudantes universitários, na qual recomendou às mulheres que não se vestissem "como prostitutas" para evitarem serem vítimas de violência sexual.


Marcha de Florianópolis


Marcha de São Paulo

No Brasil temos inúmeros exemplos semelhante. Por exemplo a fala do humorista e apresentador dos programas da Band CQC e A Liga, Rafinha Bastos: “Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia... Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso não merece cadeia, merece um abraço".

Marcha de Copacabana

Marcha de Recife

Marcha de São Paulo

Por estas e outras, a onda de indignação se espalha e realizam-se marchas semelhantes no Reino Unido, Nicarágua, Honduras, México, São Paulo e Recife.


Marcha do México


Agora é nossa vez!


Dia: 14 de julho
Horário: 14:00 as 17:00
Na SBPC 2011 – Campos II (palco central)




QUEM NÃO SE MOVIMENTA, NÃO SENTE AS CORRENTES QUE O PRENDE"
Rosa Luxemburgo
(Enviado por Kelly Gonçalves em 03 de julho de 2011)


Veja abaixo alguns argumentos que tentam
desresponsabilizar o autor da violência de gênero


De acordo com Suely Souza de Almeida (2007), argumentos desta natureza, são constantemente repostos e reatualizados – o que é próprio de um campo definido a partir das disputas pelo poder e das lutas simbólicas e materiais travadas. Eis algumas das tendências identificadas na atualidade:

  • justificativas assentadas no alcoolismo, na loucura, na patologia, na paixão e/ou na frustração sexual;
  • tentativas de medicalização/tratamento dos autores de violência, que deixam de ser passíveis de punição e passam a requerer tratamento;
  • táticas de transferência de responsabilidade do agressor para a vítima, considerada frágil, irresponsável, provocadora, descumpridora dos seus papéis, atribuídos com base na tradicional divisão sexual do trabalho: boa mãe, boa esposa, boa dona-de-casa etc;
  • substituição das táticas anteriores, na medida em que são denunciadas, por outras da mesma natureza: mulher é incapaz de reagir, de abandonar a relação violenta, de manter a queixa, ou seja, ela é acusada de conformismo e de não usar a sua “liberdade” para dar fim à violência;
  • insistência no fato de que os agressores foram vítimas de violência na infância, não tiveram uma imagem positiva da figura paterna, conviveram com mães abusadoras ou coniventes com o abuso;
  • utilização de grupos de reflexão para agressores – iniciativa em si muito positiva, mas que, no limite, podem produzir o efeito de associar a reflexão crítica – cujo princípio ineliminável é a liberdade – à punição – cujo princípio indiscutível é a necessidade de controle próprio à limitação da liberdade.

"Há de se enfatizar que todas as medidas inovadoras que visem a ou que produzam o efeito de desresponsabilizar o agressor, de minimizar a violência e os seus efeitos deletérios para enormes contingentes humanos, assim como abordar este fenômeno – de enorme complexidade – de forma reducionista, fragmentada e individualizante constituem a face moderna das estratégias de restauração da ordem vigente" (ALMEIDA, 2007).

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