28 de nov de 2016

Seminário sobre Vigilâncias às Violências e Qualificação do Cuidado: 10 anos de Lei Maria da Penha e 10 anos do VIVA Brasil - Goiânia, 5 de dezembro de 2016



 Seminário sobre Vigilâncias às Violências e
Qualificação do Cuidado

10 anos de Lei Maria da Penha e 10 anos do VIVA Brasil




Objetivo: 

Discussão sobre impacto da violência na saúde, apresentação dos dados das Notificações de Violências Interpessoais e Autoprovocadas e dos instrumentos de monitoramento da atenção às pessoas em situação de violência do município de Goiânia e comemoração dos 10 anos de Lei Maria da Penha e 10 anos do VIVA Brasil



Data: 5 de dezembro de 2016

Horário: 08h00 às 18h00

Local: Auditório do Ministério Público do Estado de Goiás

Endereço: Rua 23, esq. com a Av. Fued José Sebba, Qd. A 06, Lts. 15/24, Jardim Goiás.

Público-alvo: Profissionais e estudantes das áreas da saúde, educação, assistência social, operadores do direito e Conselhos de Direitos do estado de Goiás


PROGRAMAÇÃO


7h30min Credenciamento


8h00min - Pronunciamento de Abertura Oficial: Promotora Karina D’abruzzo – Coordenadora do CAO da Infância e Juventude do Ministério Público do Estado de Goiás

Comemoração de 10 anos do VIVA Brasil - Fátima Rodrigues


8h30min – 10 anos da Lei Maria da Penha, avanços e desafios

Delegada Ana Elisa Gomes Martins - delegada titular da delegacia especializada de atendimento à mulher 


9h00min - Mesa Redonda: Sistemas de Informação e Vigilância de Violência: possibilidades e desafios 


Panorama Nacional: Cruzamento dos dados dos sistemas de mortalidade, nascidos vivos e de notificação de violências do Ministério da Saúde


Ms. Marta Silva – Médica Sanitarista responsável pela implantação da Notificação Compulsória de Violências Interpessoais e Autoprovocadas e da Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA) no Ministério da Saúde

Panorama Municipal: Análise sobre Notificações de Violências Interpessoais e Autoprovocadas na cidade de Goiânia



Dra. Ionara Rabelo – Psicóloga do Núcleo de Vigilância às Violências e Promoção da Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de Goiânia


10h00min – Mesa Redonda Vigilância em violências e monitoramento em rede: experiências exitosas na cidade de Goiânia



Estratégias de monitoramento da atenção às pessoas em situação de violência no município de Goiânia.



Ms. Railda Martins – Psicóloga do Núcleo de Vigilância as Violências e Promoção da Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de Goiânia


Experiências exitosas sobre Notificações de Violências Interpessoais e Autoprovocadas em unidades de urgência/emergência do Município de Goiânia – UPA Dr. João Batista de Sousa Junior (Residencial Itaipu) e CAIS Jardim Guanabara III


Polyana Cristina Vilela Braga – Enfermeira da Imunização – Diretoria de Vigilância Epidemiológica\Superintendência de Vigilância a Saúde


Maria Joana de Jesus Menezes – Assistente Social do CAIS Jardim Guanabara III – Superintendência da Atenção a Saúde



11h00min - Debate


Intervalo para o almoço


14h00min Auto relato de violências interpessoais e autoprovocadas e suas consequências na saúde.



Dra. Daniela Sacramento Zanini - Professora do Programa de Mestrado e Doutorado da Pontifícia Universidade Católica de Goiás e Psicóloga Clínica e da Saúde



14h40min - Leitura dramatizada – Uma experiência de paixão e esclarecimento - Horácio Ferreira


14h50min - Mesa Redonda "Violências, trauma e cérebro: reflexões a partir das Neurociências"


Dra. Maria Aparecida Alves da Silva- Psicóloga do Núcleo de Vigilância as Violências e Promoção da Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de Goiânia


Dra. Regina Lúcia Nogueira – neurocientista, psicóloga clínica especializada em intervenção em trauma e psicóloga do Centro Judiciário da Mulher do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).


Dra. Maria das Graças Brasil – Neuropediatra e Professora da Faculdade de Medicina da UFG 


16h30min – Debate


Realização:

Núcleo de Vigilância as Violências e Promoção da Saúde – Diretoria de Vigilância Epidemiológica\Superintendência de Vigilância em Saúde\Secretaria Municipal da Saúde de Goiânia


Parceiros:


VIVA Goiás – Secretaria de Estado da Saúde de Goiás



Ilustração:

Recorte da obra do artista brasileiro Cândido Portinari. Retratou questões sociais, evidenciando o Homem em suas obras, influenciado fortemente pelas lembranças de sua infância em Brodósqui, interior de São Paulo. A força de sua temática social revela o ser humano e sua realidade em situações de solidariedade e ternura.

Sem título, 1959, óleo sobre tela. Créditos: http://www.portinari.org.br

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25 de nov de 2016

Strange Fruit - Billie Holiday e Abel Meeropol

“Strange fruit”

Um fruto amargo composto por Abel Meeropol e imortalizado pela voz de Billie Holiday. A força desta canção conseguiu quase zerar o número de linchamentos de negros nos EUA. De acordo com os estudos de David Margolick, 2.700 negros foram linchados e assassinados no Sul dos EUA de 1889 a 1940.  No ano em que Billie cantou "Strange fruit", pela primeira vez em 51 anos, os casos reduziram da média de 53 linchamentos por ano para três casos.

Strange fruit

Southern trees bear strange fruit
Blood on the leaves and blood at the root
Black bodies swinging in the southern breeze
Strange fruit hanging from the poplar trees

Pastoral scene of the gallant south
The bulging eyes and the twisted mouth
Scent of magnolias, sweet and fresh
Then the sudden smell of burning flesh

Here is fruit for the crows to pluck
For the rain to gather, for the wind to suck
For the sun to rot, for the trees to drop
Here is a strange and bitter crop.

Abel Meeropol  

Estranho Fruto

As árvores do Sul estão carregadas com um estranho fruto,
Sangue nas folhas e sangue na raiz,
Um corpo negro balançando na brisa sulista
Um estranho fruto pendurado nos álamos.

Uma cena pastoral no galante Sul,
Os olhos esbugalhados e a boca torcida,
Perfume de magnólia doce e fresca,
Então o repentino cheiro de carne queimada!

Aqui está o fruto para os corvos arrancarem,
Para a chuva recolher, para o vento sugar,
Para o sol apodrecer, para as árvores fazer cair,
Aqui está uma estranha e amarga colheita.


"Strange Fruit" foi composta como um poema, escrito por Abel Meeropol (um professor judeu de colégio do Bronx), sobre o linchamento de dois homens negros. Ele a publicou sob o pseudônimo de Lewis Allan.
 








23 de nov de 2016

NOTA DE POSICIONAMENTO DO CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DE MINAS GERAIS SOBRE PALESTRA “COMO PREVENIR E REVERTER A HOMOSSEXUALIDADE”

NOTA DE POSICIONAMENTO DO
CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DE MINAS GERAIS
SOBRE PALESTRA “COMO PREVENIR E REVERTER A HOMOSSEXUALIDADE”

O Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais – CRP-MG, no exercício de suas atribuições legais e regimentais, de “orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício profissional do psicólogo”, ao ter conhecimento de divulgação de “Palestra Sobre Sexualidade” com o tema “Como prevenir e reverter a homossexualidade”, a ser proferida pela psicopedagoga Isildinha Muradas no próximo dia 24/11, e receber diversos questionamentos da categoria e da sociedade, vem esclarecer o que se segue.
Inicialmente é importante informar que a Sra. Isildinha não é psicóloga registrada no Conselho de Psicologia. No que tange a sua nomeação como “psicopedagoga”, esclarece-se que a psicopedagogia é uma das especialidades possíveis à(ao) psicóloga(o), conforme regulamentado pelo Conselho Federal de Psicologia, mas não é uma formação restrita a esta profissão. A Psicologia é uma profissão regulamentada no Brasil (Lei Federal nº 4119/62), o que não acontece com a psicopedagogia, a qual é compreendida como uma especialização interdisciplinar que necessita dos conhecimentos teóricos, dos métodos e das técnicas da Psicologia e da Pedagogia.
Uma profissional, que não seja a psicóloga(o), ao utilizar-se do conhecimento da psicopedagogia, deverá fazê-lo dentro do que compete à sua formação de base e legislação pertinente. Não podendo realizar, a partir dessa pós-graduação, nenhuma atividade que compete exclusivamente à psicóloga(o) e que lhe é privativa. Cada profissional deve restringir suas atividades em sua competência legal, como também em sua competência de formação, devendo respeitar os limites que a lei lhe impõe.
Por fim, este Conselho repudia veementemente o tema da palestra e toda e qualquer discriminação e estigmatização referentes à orientação sexual e identidade de gênero, reiterando a constante defesa dos direitos da comunidade LGBT, refletida em diversas ações e posicionamentos desta autarquia (ver notas técnicas do Conselho Federal de Psicologia e do Conselho Regional de Psicologia - Minas Gerais) e nos princípios e diretrizes apontados na Resolução CFP nº 01/99, em especial:
Art. 3° - Os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.
Parágrafo único - Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.
Art. 4° - Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.
O CRP-MG espera que as autoridades responsáveis pela defesa dos direitos humanos tomem as providências cabíveis para responsabilizar as pessoas e as instituições envolvidas nesse ato discriminatório.
Belo Horizonte, 22 de novembro de 2016.

20 de nov de 2016

O que comem, onde vivem e como se acasalam os que querem um golpe militar? Leonardo Sakamato





Uma coisa é o pensamento conservador, que merece ser respeitado e, na minha opinião, questionado – quando for o caso – nas arenas públicas e privadas de discussões. A outra é gente que acha que a Constituição é papel higiênico e as instituições democráticas – que levamos décadas para reconstruir – são um grande vaso sanitário.

Nesta semana, a ocupação da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados pelo pessoal que acha que a democracia é a titica do cavalo do bandido e vê comunismo na tigela dos Sucrilhos do café da manhã libertou uma quantidade surpreendente de seres mágicos pela internet. Por exemplo, trolls que pensei estarem adormecidos desde que o tilintar de panelas cessou, orgulhoso de si mesmo, apesar da corrupção seguir galopante.

Seres que defendem uma ''intervenção militar constitucional'' (haha), o bloqueio da conversão do país em uma ''ditadura gayzista'' (hahahaha) e uma ação para evitar a iminente ''implantação do comunismo'' (#morri).

Pessoas que dizem que o mal precisa ser extirpado. E quem é o mal? Daí reside o problema.
Ouvimos cada vez mais que há pessoas ou grupos que representam o mal, cuja natureza é contra os costumes e as tradições dos ''homens e mulheres de bem'', e precisam ser extirpados. Eu mesmo já ouvi isso mais de uma vez: ''você é um câncer que precisa ser extirpado''.

Na superfície dessa afirmação, há ódio. Mas se escavarmos um pouco, chegaremos ao medo e, em seguida, à ignorância sobre o outro. Pincelado por horas de aulas de História cabuladas para ir empinar pipa ou fazer footing no shopping.

Tito de Alencar Lima, o Frei Tito, foi encontrado enforcado no dia 10 de agosto de 1974, durante seu exílio na França, como consequência da tortura que sofreu pelas mãos dos agentes da última ditadura brasileira. Aquela incensada pelo pessoal acima citado. Trouxe a história dele aqui por ocasião do aniversário de sua morte e gostaria de retomar parte de seu testemunho.

Em 1969, ele foi um dos dominicanos presos pelo torturador Sérgio Paranhos Fleury, delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), acusados de apoiar as ações da resistência contra o regime. O calvário de Tito, da prisão ao suicídio, tornou-se um dos símbolos da luta pela liberdade.

Trago trechos do testemunho de Tito à Justiça Militar, em 1969, em que conta como foram as sessões de tortura. O depoimento faz parte de ação movida pelo Ministério Público Federal contra os torturadores. Isso é a consequência da ''intervenção militar'' que esse povo tanto pede:

''Na quarta feira, fui acordado às 8 horas, subi para a sala de interrogatórios, onde a equipe do capitão Homero me esperava.

Repetiram as mesmas perguntas do dia anterior. A cada resposta negativa, ou recebia cuteladas na cabeça, nos braços e no peito.

Neste ritmo prosseguiram até o início da noite, quando me serviram a primeira refeição naquelas 48 horas. (…)

Na quinta- feira, três policiais acordaram-me à mesma hora do dia anterior. De estômago vazio, fui para a sala de interrogatórios. Um capitão, cercado por uma equipe, voltou às mesmas perguntas.

Vai ter que falar, senão, só sai morto daqui”, gritou. Logo depois vi que isto não era apenas uma ameaça: era quase uma certeza.

Sentaram-me na “cadeira de dragão” (com chapas metálicas e fios), descarregaram choques nas mãos e na orelha esquerda. A cada descarga, eu estremecia todo, como se o organismo fosse decompor.

Da sessão de choques, passaram-me ao pau-de-arara. Mais choques, pauladas no peito e nas pernas cada vez que elas se curvavam para aliviar a dor.

Uma hora depois, com o corpo todo sangrando e todo ferido, desmaiei. Fui desamarrado e reanimado. Conduziram-me à outra sala, dizendo que passariam a carga elétrica para 230 volts a fim de que eu falasse “antes de morrer”. Não chegaram a fazê-lo.

Voltaram às perguntas, batiam em minhas mãos com palmatórias. As mãos ficaram roxas e inchadas, a ponto de não ser possível fechá-las. Novas pauladas. Era impossível saber qual parte do corpo doía mais: tudo parecia massacrado.

Mesmo que quisesse, não poderia responder às perguntas: o raciocínio não se ordenava mais. Restava apenas o desejo de perder novamente os sentidos.''



Por aqui, lidamos com o passado como se ele tivesse automaticamente feito as pazes com o presente. Não, não fez. E o impacto de não resolvermos o nosso passado se faz sentir no dia a dia das periferias das grandes cidades, em manifestações, nos grotões da zona rural, com o Estado aterrorizando, reprimindo e torturando parte da população (normalmente mais pobre) com a anuência da outra parte (quase sempre mais rica).

Tito é torturado e morto novamente e novamente, todos os dias, no Brasil, sob outros nomes, crenças, gênero ou cor de pele. Normalmente, jovens, negros e pobres.

Diante da atual tentativa de excluir o espírito crítico dos bancos escolares, através de ações reacionárias como o ''Escola Sem Partido'', desejo que a história daquele período continue a ser contada nas escolas até entrarem nos ossos e vísceras de nossas crianças e adolescentes a fim de que nunca esqueçam que a liberdade do qual desfrutam não foi de mão beijada. Mas custou o sangue, a carne e a saudade de muita gente.

Se ficarmos apenas assistindo boquiabertos aos retrocessos sociais, ambientais, econômicos, políticos e civis, o que é um pesadelo do passado voltará a ser nosso cotidiano. Liderado por falsos ''salvadores da pátria'', eleitos no braços de quem está cansado de tudo o que está aí Inclusive da liberdade para procurar soluções de forma coletiva aos problemas da sociedade.

Só dessa forma, os poucos milhares que hoje clamam por um golpe militar ou pela volta da ditadura continuarão a ser vistos pelo restante da sociedade como mal informados, ignorantes ou insanos.

Acho importante esse pessoal mostrar sua cara e dizem quem é. Eu já estava cansado de ser xingado por anônimos na internet ou perfis do Twitter com foto de ovo. Vocês não tinham curiosidade de saber quem eles são? O que comem? Onde vivem? Como se acasalam?

Temos a responsabilidade de, uma vez identificados, despejarmos todo o carinho e paciência possíveis. Pois, talvez um dia, compreendam o que significa a liberdade que está diante de seus olhos, mas que não conseguem enxergar.

Fonte: Blog do Sakamoto, 18 de novembro de 2016